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Clipping Valor Econômico - Negócio XP leva Escobari à presidência de comitê global da General Atlantic

Na primeira noite do Fora da Curva, Pierre Moreau e Florian Bartunek receberam Martim Escobari, saiba mais na matéria do Valor Econômico.

O boliviano Martin Escobari, chefe da gestora  General Atlantic na América Latina, é um improvável investidor. Filho de pais comunistas de classe média baixa, nascido em uma cidade de 37 mil habitantes na província de Cordillera, Escobari conseguiu bolsas para graduação nas universidades de Yale e de

Harvard, nos Estados - optou pela segunda, por pressão do governo de La Paz mas fugia dos cursos que só falavam de dinheiro.

Em seu sonho mais ambicioso, imaginava se tornar presidente da Bolívia. Arriscou- se como empreendedor, mas não levava jeito para a coisa. Foi como "penetra" em um jantar promovido para alunos brasileiros da universidade por Alexandre Behring, então sócio da GP Investimentos, que Escobari entrou no mercado financeiro. Behring sondava jovens brasileiros prestes a se formar ou recém-formados para entrar na equipe. "Consegui convencê-lo a dar a vaga para um mas a condição era que eu aprendesse português" , contou Escobari, o primeiro a falar no evento "Fora da Curva - Florian Bartunek e Pierre Moreau recebem grandes investidores" , na Casa do Saber, em São Paulo.

Desde então, foram mais de duas décadas de carreira entre a GP, a gestora Advent e a americana General Atlantic, também conhecida pela sigla GA, onde está há seis anos. Na fez uma das maiores transações da história na América Latina, com a venda da Cetip para Intercontinental Exchange em 2011 - que rendeu ao fundo 7 vezes o valor investido. Na GA, está prestes a fechar a transação que vai bater o recorde da gestora, com a de participação da XP Investimentos para o banco Itaú, que depende ainda de aprovação no Cade e no Banco Central.

O fundo comprou participação na XP por R$ 1 bilhão, e vai levar quase oito vezes esse valor quando a operação estiver totalmente concluída, em tranches até 2021, segundo o executivo. "Quando a GA faz uma aquisição, ela normalmente parece cara. Até que vem o retorno e a transação faz sentido" , disse Florian Bartunek, sócio- fundador da gestora Constellation, anfitrião do evento.

Esse tipo de transação fez com que Escobari ganhasse espaço na empresa americana, que gere USS 25 bilhões globalmente. Em 2017, ele assumiu como co-presidente do comité global de investimentos da GA - o primeiro executivo estrangeiro a ocupar essa cadeira. para conseguir filtrar cerca de 10 das 60 empresas que levam anualmente para discussão de possível aquisição no comité (entre centenas avaliadas num primeiro momento), a gestora criou um "check-list" para agilizar o processo.

Para isso, a GA fez uma análise dos investimentos que se destacaram nos 37 anos de história da empresa, positiva ou negativamente. "Pegamos os 'outliers' para descobrir o que tinham em comum" diz Escobari. É um modelo parecido com o que ele já tinha discutido em um livro de sua autoria, "Sucesso Made In Brasil", publicado em 2004, sobre o que fez empresas brasileiras superarem seus pares de mercado.

A partir daí, Escobari e sua equipe estabeleceram sete critérios positivos, como tamanho potencial de mercado, qualidade do modelo de negócio e dos

administradores da companhia, e sete negativos, como negócios cíclicos e que tenham risco regulatório. Em tom humorado, Escobari disse que fez check-list de critérios até da esposa antes de casar - mas ela só soube disso depois do casamento, claro.

Essa base de análise cria o que Escobari define como reciclagem de estratégias. Na década de 80, a GA investiu na E-Trade, que era uma pequena corretora que acreditava na migração de investimentos em bancos para plataformas independentes - hoje ela vale, em bolsa, US$ 15 bilhões. Em 2014, a gestora replicou a lógica no mercado brasileiro, com a compra da XP e está usando o mesmo modelo em outros mercados. "Estamos fazendo agora a XP da Índia, que é a IIFL" , disse Escobari, em entrevista ao Valor. A IIFL é a gestora de património líder no mercado indiano que, por enquanto, está concentrada em assessorar famílias de alta renda. A GA comprou uma fatia de 22%, em outubro de 2015, por US$ 173 milhões.

No mercado brasileiro, os investimentos preferidos hoje de Escobari são a Gympass, de planos de benefícios para uso de academias, e o grupo de ensino SAS. Para a tese de investimento, a GA entendeu que a Gympass atende à regra básica de potencial de mercado. "O fundador da Gympass criou a empresa com a intenção de que ela fosse global " , diz o executivo. Criada pelos executivos César Carvalho, Ferriani e João Thayro, a empresa vinha crescendo na América Latina e Europa, mas a ideia do fundo é acelerar a entrada nos dois mercados que podem de fato mudar o tamanho do negócio: Estados Unidos e China. "Estamos ajudando a financiar a expansão da empresa primeiro nos Estados Unidos e, se der certo, a China é próximo passo", conta. A Gympass tem planos individuais e corporativos, em que o usuário pode usar diversas academias, sem ficar vinculado a uma só.

Já a SAS é uma plataforma de conteúdo educacional, tecnologia e serviços, criada no Ceará, que atende mais de 700 escolas. "O que chamou nossa atenção foi um índice desproporcionalmente alto de aprovação das escolas da plataforma no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em relação à média nacional" disse Escobari. O fundo comprou 20% da SAS em 2014 e aumentou a fatia para 26% em novembro de 2017. A SAS deve mudar de nome e acelerar seus investimentos em marketing nacional.

A GA fala em crescimento orgânico, mas executivos no setor dizem que a gestora já começou a sondar aquisições. É para o setor de educação que deve ir uma parte dos novos investimentos da gestora no Brasil. Dos USS 25 bilhões geridos globalmente, cerca de USS 10 bilhões ainda serão investidos --15% disso na América Latina, especialmente Brasil e México. Também fazem parte do portfólio brasileiro da GA a empresa de saúde animal Ourofino e rede de farmácias Pague Menos, que deve tentar novamente uma listagem na bolsa até 2019 (a empresa ia fazer uma oferta em 2012, mas cancelou). O filho de comunistas não tem hoje constrangimento em dizer que ficou rico - mas o património, ele não revela

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